terça-feira, 6 de setembro de 2011
Sempre quis falar de mim, sempre quis deixar claro quem eu sou, mas como poso se nem eu mesma sei ao certo? Dizem que quem se descreve se limita, mas sabe... isso não se aplica a mim. Eu sou mudança, descompasso. Hoje sou brisa, amanhã sou temporal. Sou doce, sou salgado, sou um oceano de medo e uma gota de segurança. Eu sou aconchego, insanidade. Sou aquela menininha que sempre era vista descalça na rua, com cabelos desgrenhados e terra nas mãos. Aquela que era levada, vivia de calcinha, que caía, procurava colo e depois se reerguia, começando tudo de novo. Uma pequena que desde já tinha paixão pela música, pelas palavras, e que nunca soube dançar. Aquela que tinha medo da avó, que admirava a mãe e tinha um imenso carinho pelo pai. A menininha cresceu, se transformou. Já não se vê aquele brilho em seus olhos, ela não brinca mais. Levou várias porradas da vida, entregou seu coração inúmeras vezes, e ainda hoje junta os caquinhos, que já não são mais de vidro, e sim da mais dura rocha. Ainda assim ela se doa, não se pertence, é toda daqueles que ama, e apesar de não ser boa conselheira, tem sempre um par de ouvidos e um ombro amigo pra quem precisar. Não é tão bela, não é soberana e nem tem um talento inigualável. Finge que não se importa, fica noite em claro por coisas que ninguém jamais imaginaria. Chora, grita, berra, mas tudo em silêncio. Despeja as coisas nos outros, maltrata, se arrepende. Não pede perdão, é orgulhosa e imatura, ao mesmo tempo que assume os erros que não são dela, tudo por um sorriso de quem ama. Mudou, sim, e ainda muda, mas depois de todas as mudanças ela sabe que ainda existe aquela pequena que todos viram desaparecer. Ela ainda sonha.
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